Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Otimismo da Incerteza

Publicado em 8 de novembro de 2008 pelo CommonDreams.org

Por Howard Zinn de um extrato do livro de Paul Rogat “O impossível demora um pouquinho mais”


Neste horroroso mundo no qual esforços para cuidar de pessoas frequentemente se empalidecem em comparação com o que é feito por aqueles que tem poder, como posso conseguir permanecer envolvido e aparentemente feliz? Eu estou totalmente confiante não que o mundo ficará melhor, mas nós não devemos desistir do jogo antes que todas as cartas tenham sido jogadas. A metáfora é deliberada; a vida é um jogo. Não jogar é excluir qualquer oportunidade de ganhar. Jogar, agir, é criar pelo menos uma possibilidade de mudar o mundo. Há uma tendência de se pensar que o que nós vemos no presente momento continuará. Nós esquecemos o quão freqüente nos temos sido surpreendidos grandemente
por uma repentina desintegração de instituições, por extraordinária mudança no pensamento das pessoas, por inesperadas erupções de rebeliões contra a tirania, por um rápido colapso de sistemas de poder que pareciam invencíveis. O que é uma transição súbita da história nos cem anos passados, é também sua completa imprevisibilidade. Isto nos confunde, porque estamos falando exatamente do período quando os seres humanos se tornaram tão engenhosos tecnologicamente que poderiam planejar e predizer o tempo exato em que alguém pousaria na Lua, ou andar pela rua falando com alguém do outro lado da Terra.

..................................................................................................


Nenhum cálculo frio do equilíbrio de poder é capaz de intimidar pessoas que estão persuadidas que sua causa é justa. Eu tentei muito me igualar com meus amigos no seu pessimismo sobre o mundo (são apenas meus amigos?), mas eu continuo encontrando pessoas que, apesar de todas as evidências de coisas terríveis acontecendo em toda parte, me dão esperança. Principalmente pessoas jovens, nas quais o futuro depende. Onde quer que eu vá, eu encontro tais pessoas. E alem de um punhado de ativistas, parece existir centenas, milhares mais que estão abertos a idéias não ortodoxas. Mas eles tendem a não conhecer a experiência um dos outros, e então, enquanto eles persistem, eles o fazem com a desesperada paciência de Sisyphus empurrado sem fim aquele bloco enorme de pedra montanha acima. Eu tentei dizer a cada grupo que não estavam sozinhos, e que as mesmas pessoas que estão desanimadas pela ausência de um movimento nacional são elas próprias a prova do potencial para tal movimento. É esta mudança de consciência que me encoraja. Admitindo que o ódio racial e a discriminação sexual ainda existem em nós, guerra e violência ainda envenenam nossa cultura, nós temos um enorme subclasse de pobres, pessoas desesperadas, e há um núcleo social resistente de pessoas que estão contentes com a forma como as coisas são, com medo da mudança. Mas se nós apenas virmos isto, nós perderemos perspectiva histórica, e então será como se tivéssemos nascidos ontem e nós conheceremos somente as estórias deprimentes nos jornais da manhã, nas reportagens da noite da televisão. Pondere a notável transformação, em apenas poucas décadas, na consciência das pessoas sobre racismo, na corajosa presença de mulheres exigindo seu legítimo lugar, no crescente estado de ser consciência do público que gays não são curiosidades, mas sensatos seres humanos, na descrença de longo prazo sobre as intervenções militares a despeito das breves ondas de loucuras militares. É esta mudança de longo prazo que eu penso que nós devemos ver se não queremos perder a esperança. Pessimismo se torna uma profecia auto-realizável; ela se auto reproduz incapacitando nossa vontade de agir.


Mudança revolucionária não acontece como um momento cataclísmico (tome cuidado com esses momentos), mas como uma sucessão de surpresas, movendo em zigzag em direção a uma sociedade mais decente. Nós não temos que nos empenhar em grandes, heróicas ações para participar do processo de mudança. Pequenos atos, quando multiplicados por milhões de pessoas, podem transformar o mundo. Mesmo quando não “ganhamos”, há muito divertimento e realização no fato de termos nos envolvido com outras boas pessoas, em algo que vale a pena. Nós precisamos de esperança. Um otimista não é necessariamente um assobiador displicente, leviano e tolo no nosso momento sombrio. Ser esperançoso em tempos ruins não é apenas tolamente romântico. Está baseado no fato que a história humana não é apenas crueldade, mas também compaixão, sacrifício, coragem, bondade. O que nós escolhermos enfatizar nesta complexa história determinará nossas vidas. Se apenas virmos o pior, isto destrói nossa capacidade de fazer qualquer coisa. Se nós lembrarmos aqueles tempos e lugares – e há tantos – nos quais pessoas se comportaram magnificamente, isto nos dá energia para agir, e, pelo menos, a possibilidade de mandar esta confusa parte do mundo para uma direção diferente. E se nós agirmos, de qualquer pequena forma, nós não teremos que esperar por um grande futuro utópico. O futuro é uma infinita sucessão de presentes e viver agora como acreditamos que seres humanos deveriam viver em desafio a tudo que há de mal em nosso redor, é por si próprio uma vitória maravilhosa.


Adaptado do “O Impossível tomará um pouquinho mais de tempo”, editado por Paul Rogat Loeb. Parte deste ensaio apareceu em “Você Não Pode ser Neutro em um Trem em Movimento e Howard Zinn na História” 
Traduzido por Elias Penteado Leopoldo Guerra

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Criando a Própria Felicidade

Por Elias Guerra

“Não mude sua natureza se alguém lhe faz mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam".  Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque a consciência é o que você é e sua reputação é o que os outros pensam que você é. É o que os outros pensam.... É problema deles!”(Bob Marley, 1945-1981)
(da fábula “Escorpião”, em “Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação”, Ubatuba Cobra, 08 de maio de 2011)
Talvez por termos olhos na parte da frente do rosto, a maioria das pessoas olha para o chão a sua frente, para evitar obstáculos e as “coisas” próximas. Poucos são os que buscam com seu olhar o horizonte distante e menos ainda os que ficam a imaginar o que há alem do horizonte. Mas a pequena minoria é constituída por aqueles que levantam seus olhos para o céu em uma noite estrelada, sem nuvens e que se maravilham com o que vêm e se sentem tocados pela imensidão do Universo e pela pequenez que nós somos. São aqueles que sentem que não somos o centro do Universo, mas sim parte integrante dele e assim sentem-se comungados com o Universo.
“O homem vive inconscientemente. Ele vive fazendo muitas coisas porque os outros também fazem, vive seguindo e imitando. Não sabe muito bem por que faz as coisas, nem sequer sabe quem ele é.” Osho, em “Meditações para a Noite” 
Em recente crítica, que compartilhei no “Facebook” com todos, na qual se colocava: “você está reclamando de que?”, enfatizando que as pessoas criticam os políticos por serem corruptos, desonestos, sem ética, por pensarem em tirar vantagem de tudo só para si e para os seus, ignorando os interesses e necessidades da população que os elegeu, mas estas mesmas pessoas que os criticam fazem as mesmas coisas elas próprias, ignorando também as demais pessoas.
Esta é a razão do alerta acima expressado, no sentido de que, antes de criticarmos os outros, que façamos nós mesmos nossa autocrítica e olhemos mais adiante alem do chão que pisamos ou dos obstáculos que queremos evitar (as outras “cosas”, as pessoas, principalmente).
Não é porque muitos, talvez, lamentavelmente, a maioria, seja desonesta e corrupta, nós devemos também seguir-lhes o exemplo.

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Rui Barbosa - 1914)

Este é um fantástico alerta para que não desanimemos e não nos tornemos iguais aos que criticamos.

“Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você, então levante a bunda daí e corra atrás do seu sonho, porque o carteiro não vai chegar dizendo: "Aqui o sonho que você encomendou”” autor desconhecido

Esteja, entretanto alerta, pois, “Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com ele”
Martin Luther King