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terça-feira, 6 de março de 2012

Não Somos Vítimas

Por Política se denomina a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. Todas as pessoas nascem e vivem em Estados e, portanto, são naturalmente entes políticos, independentemente de estarem conscientes disto ou não. Outro aspecto importante que esquecemos é que ninguém nasce e sobrevive sozinho, quer em sua infância como no seu estado adulto. De uma forma ou por outra, de qualquer forma, nós sempre dependemos das outras pessoas, quer admitamos ou não somos, independente de nossa vontade, parte de uma só comunidade global. Tudo que é feito por outras pessoas nos afetam, assim como tudo que fazemos afetam os outros, o que nos leva a conclusão que todos nós somos uma célula de um organismo maior.

Sabe-se que o corpo humano é constituído de cerca de cem trilhões de células. Nós nem sequer conseguimos visualizar, imaginar o que sejam cem trilhões de qualquer coisa, pois é algo que escapa a nossa visualização. No entanto sabemos que basta uma só célula julgar-se única e independente e resolver atuar e viver de maneira própria (também chamado de o inicio de um tumor de cancer) e que outras células se multiplicando nessa mesma atitude da célula inicial, levarão o total das demais cem trilhões de células à morte e, por consequência, à morte do organismo humano em que estejam.

Se refletirmos um pouco sobre isto chegaremos a conclusão de que ninguém tem o Direito de se considerar independente e ter ter sua vida própria, isolado dos outros, pois assim nada mais é do que uma célula cancerígena no organismo social.

Não geramos nossa própria vida, portanto ela não nos pertence. Nossa inteligência nos leva a uma conclusão lógica, embora não saibamos explicar os detalhes, que nada acontece por acaso, assim como ninguém está neste mundo, vivo, por acaso e nem por decisão sua, própria. Conclui-se então que temos a obrigação, o dever de nos integrar na vida da nossa comunidade, tendo ciência das consequências de nossos atos.

Educação e amor são condições necessárias para a sobrevivência no nosso organismo social e respeitar o outro e a todos é característica do amor e da educação, portanto temos que ser responsáveis por todos e por tudo. Ser responsável é ter a atitude de dar a resposta adequada que a situação exige.

Não faz sentido e é improdutivo focar no erro dos outros, em vez de procurar saber o que possamos fazer para que o erro seja corrigido. Criticar sem apresentar alternativas de soluções, sem estar na busca de apresentar alternativas de soluções, de uma maneira honesta e comprometida, não nos leva a nada; é como a célula que resolve viver sua própria vida, independente do organismo do qual faz, naturalmente, parte.

O mal não é somente feito por aqueles que buscam só seus interesses próprios, a quaisquer meios, ignorando e desrespeitando a existência dos demais, mas também é feito por aqueles que se omitem, viram os olhos da realidade para não vê-la e não se comprometerem, com responsabilidade maior pois criam as condições para que os maus possam fazer o mal.

Lembremo-nos do dito antigo de que é fácil quebrar um graveto mas é impossível se quebrar um feixe de vários gravetos juntos, unidos.

Não permitamos que as circunstâncias nos corrompam, pois é com isto que os maus contam e esperam, mas tenhamos confiança em nós, no que temos consciência ser o justo, o adequado e o devido a ser feito. Não sejamos escravos do passado, que já se foi, concentremo-nos no presente e na confiança de que o bem e a verdade sempre vencem e transformam as pessoas, podendo assim criarmos juntos o mundo e a vida que almejamos para nós e nossos entes queridos.

Tenhamos a coragem e determinação de imaginar esse novo mundo, o “A New Earth “ (“O Despertar de Uma Nova Consciência”), de Eckhart Tolle e ele se tornará realidade. Unamo-nos ao ideal de John Lennon, lindamente expressado em sua música “Imagine” e teremos um Novo Mundo.

Elias Penteado Leopoldo Guerra

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Auto-percepção versus Desenvolvimento

Nota do editor: O texto abaixo, de autoria de Elias Penteado Leopoldo Guerra, foi publicado no jornal O Estado de São Paulo há cerca de 25 anos. O fundamental é que as idéias do texto permanecem válidas e devem ser amplamente divulgadas.
A necessidade de planejar o futuro próximo se impõe a cada dia com maior intensidade. Indiscutivelmente, as dimensões, a velocidade e a natureza das mudanças que estão ocorrendo são de tal amplitude, que condicionam até mesmo a própria sobrevivência à capacidade de adaptação à nova realidade.

Nas organizações, no que se refere aos recursos humanos – que são os principais agentes das mudanças – tem havido muita preocupação em conhecê-los melhor, em identificar os seus talentos, o seu potencial e habilidades. O sucesso da adaptação à mudança dependerá deles. Muito se tem discutido, tentado e feito sobre a avaliação de pessoas e, em especial, de seu desempenho e potencial. As maneiras como se tem procedido variam enormemente, desde as formas mais empíricas, subjetivas e informais (que são a grande maioria), até instrumentos muito bem elaborados, que procuram reduzir o fator de subjetividade, sistematizando as informações para que possam ser mais objetivamente analisadas e correlacionadas, permitindo uma visão mais global da pessoa.

Inúmeras pesquisas têm sido conduzidas sobre este assunto. As mais variadas técnicas são utilizadas, tentando associar o sucesso na performance no trabalho com características da pessoa humana. O exame dos resultados dessas pesquisas sugere que 70% dos atributos vinculados ao sucesso no trabalho são dimensões ou aspectos da personalidade, sobrepondo-se àqueles relacionados com habilidades, experiência ou conhecimentos.

Estas conclusões, no campo da psicologia ocupacional, têm estimulado estudos para o desenvolvimento de instrumentos que auxiliem e facilitem a identificação desses traços da personalidade, e assim permitam um prognóstico da eficácia no trabalho, possibilitando, desta forma, que surjam medidas que possam ser tomadas para promover o desenvolvimento das pessoas, para que, ao final, os objetivos e as metas organizacionais possam ser mais adequadamente alcançadas.

É impossível dissociar o desenvolvimento organizacional do desenvolvimento das pessoas que compõem a organização. Da mesma forma não se pode cogitar sobre o desenvolvimento de pessoas sem ter presente a AUTO-PERCEPÇÃO, sem a qual o mesmo não poderá existir. Inúmeros instrumentos e recursos têm sido elaborados e utilizados para o desenvolvimento de pessoas, sem que essa imprescindível premissa tenha sido levada em consideração. Assim não somente pelo instrumento em si mas pelo seu uso adequado e, principalmente pela devolução ou “feedback”, é que a pessoa avaliada poderá perceber-se e procurar ajustar-se às demandas da realidade, sem o que seria impossível o desenvolvimento.

Sob o aspecto ético–profissional, questiona-se, com muita veemência, a legitimidade de se invadir a privacidade da personalidade das pessoas, utilizando-se os resultados da análise no interesse da organização. Certamente é inconcebível que se proceda a investigação da personalidade, por qualquer meio, de uma pessoa, sem que ela seja esclarecida do que se trata e que tenha dado o seu consentimento. Além disto, é fundamental que a pessoa seja informada, de maneira compatível com sua capacidade de entendimento e com a sua situação pessoal, sobre os resultados da avaliação, para que possa utilizá-los em benefício do seu desenvolvimento.

A identificação de traços da personalidade, comumente designados como fatores, somente é possível através do desmembramento da personalidade nos seus vários aspectos observáveis isoladamente. Este procedimento, entretanto, tem sofrido fortes críticas dos profissionais da área do comportamento humano, sob o argumento de que é impossível conhecer-se algo que só tem sentido atuando como um conjunto. De fato, a pessoa humana é um conjunto íntegro, no qual seus vários componentes interagem e se interrelacionam, produzindo, desta forma, o comportamento da pessoa. Portanto, qualquer tentativa de estudo da motivação desse comportamento só terá sentido se for mantida a visão global, holística, da pessoa.

É preciso se ter certeza da qualidade ético–científica do instrumento que se está utilizando, ou seja, deve-se confirmar sua fidedignidade e sua validade para o fim a que se destina, é necessário também assegurar-se que as pessoas que se utilizam desses instrumentos estejam, ética e profissionalmente, adequadamente preparadas.

As várias técnicas psicológicas de avaliação da pessoa – quer sob aspectos de suas habilidades, dos seus conhecimentos, interesses ou mesmo dos traços de sua personalidade – são utilizadas primordialmente para seleção, com o propósito de se alocar, da forma mais adequada possível, a pessoa à função a que melhor se ajusta. O seu objetivo final, entretanto, embora nem sempre explícito, deveria ser o do desenvolvimento da pessoa. Esta argumentação se fundamenta no fato de que o desenvolvimento da organização é uma questão de sobrevivência e isto não poderá ocorrer sem que haja o desenvolvimento das pessoas que compõem a organização.

É imprescindível, pois, que se forneça ao avaliado adequado “feedback” ou “devolução”, sobre seus pontos fortes e, principalmente, sobre seus aspectos a serem desenvolvidos, para que, junto com seu avaliador, seja elaborado um plano futuro para a sua adaptação à organização, no caso de processo de seleção, e para seu posterior desenvolvimento. Sem que isto ocorra, todo o processo não só perde seu sentido ético como funcional, pois certamente não produzirá os resultados esperados e planejados, como poderá ser fonte de risco de graves problemas para ambas as partes.

Pode-se, pois, concluir que o que realmente dá sentido ao processo de avaliação da pessoa, para que seja efetivamente um elemento do desenvolvimento do pessoal e da organização, é que haja clara percepção, pelo avaliado, dos resultados da avaliação e que, justamente com o seu superior, seja elaborado plano de ação que conduza efetivamente ao desenvolvimento. Este depende da auto–percepção e auto–determinação do avaliado, pois desenvolvimento, na realidade, é auto–desenvolvimento; entretanto é necessário que a pessoa seja auxiliada pelo seu superior, pois essa responsabilidade deve ser compartilhada por ambos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Preocupe-se mais com sua Consciência do que com sua Reputação

O escorpião (*)

Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez o escorpião o picou

Pela reação da dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando. O mestre tentou tirá-lo novamente e outra vez o animal o picou.

Alguém que estava observando aproximou do mestre e disse-lhe:

“- Desculpe-me, mas o senhor é teimoso. Não entende que todas as vezes que tentar tirar o escorpião da água ele irá picá-lo?”

O mestre responde “- A natureza do escorpião é picar e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.”

Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida e continuou:

“-Não mude sua natureza se alguém lhe faz mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam.

Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque a consciência é o que você é e sua reputação é o que os outros pensam que você é. É o que os outros pensam.... É problema deles!"


(*) autor desconhecido

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Imaginemos e vivamos o Novo Mundo


8 de fevereiro de 2012
Por Política se denomina a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. Todas as pessoas nascem e vivem em Estados e, portanto, são naturalmente entes politicos, independentemente de estarem conscientes disto ou não. Outro aspecto importante que esquecemos é que ninguém nasce e sobrevive sozinho, quer em sua infância como no seu estado adulto. De uma forma ou por outra, de qualquer forma, nós sempre dependemos das outras pessoas, quer admitamos ou não somos, independente de nossa vontade, parte de uma só comunidade global. Tudo que é feito por outras pessoas nos afetam, assim como tudo que fazemos afetam os outros, o que nos leva a conclusão que todos nós somos uma célula de um organismo maior.

Sabe-se que o corpo humano é constituído de cerca de cem trilhões de células. Nós nem sequer conseguimos visualizar, imaginar o que sejam cem trilhões de qualquer coisa, pois é algo que escapa a nossa visualização. No entanto sabemos que basta uma só célula julgar-se única e independente e resolver atuar e viver de maneira própria (também chamado de o inicio de um tumor de câncer) e que outras células se multiplicando nessa mesma atitude da célula inicial, levarão o total das demais cem trilhões de células à morte e, por consequência, à morte do organismo humano em que estejam.

Se refletirmos um pouco sobre isto chegaremos à conclusão de que ninguém tem o Direito de se considerar independente e ter sua vida própria, isolado dos outros, pois assim nada mais é do que uma célula cancerígena no organismo social.

Não geramos nossa própria vida, portanto ela não nos pertence. Nossa inteligência nos leva a uma conclusão lógica, embora não saibamos explicar os detalhes, que nada acontece por acaso, assim como ninguém está neste mundo, vivo, por acaso e nem por decisão sua própria. Conclui-se então que temos a obrigação, o dever de nos integrar na vida da nossa comunidade, tendo ciência das consequências de nossos atos.

Educação e amor são condições necessárias para a sobrevivência no nosso organismo social e respeitar o outro e a todos é característica do amor e da educação, portanto temos que ser responsáveis por todos e por tudo. Ser responsável é ter a atitude de dar a resposta adequada que a situação exige.

Não faz sentido e é improdutivo focar no erro dos outros, em vez de procurar saber o que possamos fazer para que o erro seja corrigido. Criticar sem apresentar alternativas de soluções, sem estar na busca de apresentar alternativas de soluções, de uma maneira honesta e comprometida, não nos leva a nada; é como a célula que resolve viver sua própia vida, independente do organismo do qual faz, naturalmente, parte.

O mal não é somente feito por aqueles que buscam só seus interesses próprios, a quaisquer meios, ignorando e desrespeitando a existência dos demais, mas também é feito por aqueles que se omitem, viram os olhos da realidade para não vê-la e não se comprometerem, com responsabilidade maior, pois criam as condições para que os maus possam fazer o mal.

Lembremo-nos do dito antigo de que é fácil quebrar um graveto, mas é impossível se quebrar um feixo de vários gravetos juntos, unidos.

Não permitamos que as circunstancias nos corrompam, pois é com isto que os maus contam e esperam, mas tenhamos confiança em nós, no que temos consciência ser o justo, o adequado e o devido a ser feito. Não sejamos escravos do passado, que já se foi, concentremo-nos no presente e na confiança de que o bem e a verdade sempre vencem e transformam as pessoas, podendo assim criarmos juntos o mundo e a vida que almejamos para nós e nossos entes queridos.

Tenhamos a coragem e determinação de imaginar esse novo mundo, o “A New Earth” (“O Despertar de uma nova Consciência”), de Eckhart Tolle e ele se tornará realidade. Unamo-nos ao ideal de John Lennon, lindamente expressado em sua música “Imagine” e teremos um Novo Mundo.
Elias Penteado Leopoldo Guerra

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Jornada ao Nosso Mundo Interior

A importância de se conhecer nosso mundo interior já era conhecida há muitos séculos. Sócrates, um dos fundadores da Filosofia Ocidental, teria usado a inscrição no templo a Apolo, na cidade de Delfos, Grécia, “Conhece a ti mesmo” como fundamento de sua Filosofia, de seus ensinamentos.

As matérias anteriores, nesta coluna, referiram-se a atenção e a dependência às condições externas, que determinam a situação nas pessoas em geral e desta forma de seus desconfortos, aborrecimentos, mal estar e a sua infelicidade.

Na medida em que tomamos conhecimento disto, podemos transformar esta situação. Para se mudar esta realidade é necessário aceitá-la de maneira ativa, positiva. É preciso que se aja adequadamente de acordo com o que se quer, com o que se busca e assim o desconforto, desajuste desaparece. Portanto a solução está em nosso interior e ninguém pode obtê-la por nós, pois nosso mundo interior somente pode ser acessado por cada um de nós. Assim é preciso que estejamos conscientes disto, neste momento presente, no “aqui e agora”.

Aceitar é uma atitude positiva que significa concordar com a realidade como ela é e não como gostaríamos que ela fosse. Para isto é necessário que tenhamos autopercepção, conhecimento de quem somos, porque estamos aqui, qual é a razão de nossa existência, de nossa vida.

Ocorre que este processo de autoconhecimento não é simples e nem sempre ocorre sem que tenhamos apoio externo, de outrem, que nos facilite a consciência e a compreensão de quem realmente somos.

Há várias correntes de psicoterapia, que significa terapia (cura) de nossa psique (mundo interior). Todas tem em comum que os problemas (a doença) está em nosso interior, portanto, a solução (cura) também está no nosso interior. O que varia muito nas várias técnicas são as maneiras de se dar apoio para que as pessoas encontrem o caminho do seu interior. É fundamental que se viva este momento presente, “o momento é a abertura pela qual o homem passará em seu caminho” (Jacob Levy Moreno).

(em próximas matérias continuaremos sobre este tema)

Elias Penteado Leopoldo Guerra

sábado, 28 de janeiro de 2012

O Encontro

Texto: Elias Penteado Leopoldo Guerra

“Um encontro de dois: olho no olho, cara a cara. E, quando estiveres perto, arrancarei teus olhos e os colocarei no lugar dos meus e tu arrancarás meus olhos e os colocarás no lugar dos teus, então eu te olharei com teus olhos e tu me olharás com os meus. Assim até a coisa comum serve ao silêncio e nosso encontro é a meta sem cadeias: “O lugar indeterminado, em um momento indeterminado, a palavra indeterminada ao homem indeterminado” (Jacob Levy Moreno)
 
Encontro é o mais intenso nível de comunicação; é a realização própria através do outro; a identidade, a experiência rara e inesquecível da reciprocidade total.

A técnica psicoterapêutica do Psicodrama é diálogo vivo, que busca, no momento atual, o encontro, onde importa mais é o presente, a vivência do momento atual é um convite a uma comunicação humana transformadora, é a tentativa de desintelectualizar o ser humano para um contato mais verdadeiro, mais emocional, mais pessoal – ou seja, o encontro.

O Psicodrama surgiu do jogo, como fenômeno ligado à espontaneidade e à criatividade, princípio da auto-cura. O jogo se manifesta através da dramatização, que é o encontro propriamente dito do terapeuta com o cliente e o encontro do cliente consigo mesmo. .

O Psicodrama, representado na forma dramática e espontânea do encontro, é o método que busca a verdade mediante a ação.

O encontro é extemporâneo, está ou vem de fora do tempo próprio, não é próprio do tempo em que se faz ou se sucede. O encontro não é estruturado, não é planejado, é sem ensaios – produz-se no momento, no “aqui e agora”.

O encontro é indeterminado, é produto da espontaneidade, que é o catalisador e gera a criatividade, que possibilita a criação de nova maneira de se ver a si próprio e a sua situação, permitindo outra forma de agir e de ser”..” A espontaneidade é a resposta adequada a uma situação nova ou uma resposta nova a uma situação antiga “(J L Moreno).

A espontaneidade é o catalisador da criatividade, que é a alma de todos os seres orgânicos, para que possam sobreviver e é um fator geral do Universo na existência de todas as coisas vivas.

A espontaneidade gera a criatividade, que é o fundamento da auto-percepção, portanto, da auto-cura.

O Psicodrama representa uma forma dramática e espontânea do encontro – método que busca a verdade através da ação.

“Encontro significa estar junto, encontrar-se, dois corpos tocarem-se, ver e observar, apalpar, sentir, compartir e amar, comunicação mútua, conhecimento intuitivo mediante o silêncio ou movimento, a palavra ou o gesto, o beijo ou o abraço, unificar-se, uma em um.” (Jacob Levy Moreno)
 
Bibiografia;
“Psicodrama da Loucura”, José Fonsseca Filho,Ed.Ágora, 1980
“Psicoteapia Psicodramática”, Dalmiro Manuel Bustos, Ed. Brasiliense,1979

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Filosofia Do Diálogo Eu-Tú

Texto: Elias Penteado Leopoldo Guerra

Nos raros momentos em que a autenticidade profunda de um vai ao encontro da autenticidade profunda do outro, ocorre a memorável "relação Eu-Tu” a que se referia Martin Buber, o filósofo existencialista. Esse mútuo encontro, profundo e pessoal, não acontece muitas vezes, mas pode-se estar convencido de que, se não acontece, não somos seres humanos.

O fundamental é, pois, estar consciente, perceber o outro, mas, mais do que isto, é aceitar todas as potencialidades do outro; se elas são aceitas num processo de transformação, neste caso pode-se confirmar ou tornar reais as potencialidades do outro.

Todos tem potencialidades que permitem se desenvolver e evoluir. No encontro, a verdadeira relação pessoal, recíproca e autêntica, pode tornar realidade as potencialidades do outro e, reciprocamente, tornar efetivas minhas próprias potencialidades. Assim o aluno “ensina” o professor.

Embora se refiram a ocorrências do passado, o foco é a vivência, a experiência real do relacionamento atual, no “aqui e agora”. Não fiquemos, pois, presos ao passado, pois diante de nós está sempre ocorrendo uma nova experiência que envolve outro ser humano. Portanto deve se estar sempre atento, em estado de consciência, aceitando a realidade, percebendo as coisas e pessoas como elas são e não como gostariamos que fossem.

Realiza-se no contato com o Tu, torna-se Eu dizendo Tu, isto é o encontro. No começo dos tempos o que existia era a relação entre seres humanos. Com toda a seriedade da verdade pode se afirmar que o ser humano não pode viver sem o “Isso”, isto é, as coisas, mas quem vive somente com o “Isso,” não é um ser humano.
“Nenhum líder vai nos dar paz, nenhum governo, nenhum exército, nenhum país. O que nos vai dar paz é a transformação interior que nos conduzirá à ação exterior. A transformação interior não é isolamento, desistência da ação exterior. Ao contrário, só pode haver a ação correta quando há o pensamento correto e não existe pensamento correto quando não existe autoconhecimento. Sem conhecer a si mesmo, não existe paz.” (Krishnamurti)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Relação Eu-Tú

Texto: Elias Penteado Leopoldo Guerra

Para que o encontro seja um intenso processo de comunicação, tornando-se a oportunidade de realização própria através do outro, é fundamental que haja, de ambas as partes, espontaneidade e autenticidade e assim a capacidade de aceitar a autenticidade do outro, mesmo que seja diversa da sua.própria, isto é, aceitar todas as potencialidades do outro e assim reconhecer a pessoa que o outro teria a capacidade de se tornar por sua criação. É a oportunidade de perceber o outro como uma pessoa com capacidade de um desenvolvimento interior criativo; isto ocorre porque se atua no momento presente, no aqui e no agora, pois a essência da relação é objeto do passado mas é vinvenciada no presente.

Esta relação Eu-Tú é a terapia vivencial, relacional, que ocorre no presente e não se foca no passado, que já não mais existe. É uma terapia direta e presencial criada pelo autêntico relacionamento, no qual se respeita mutuamente como cada um realmente é não como julgamos ou gostaríamos que fosse.

O processo terapêutico ocorre então no aqui e agora através de um relacionamento vivencial entre terapeuta e cliente, sendo o papel do terapeuta facilitar o processo, enquanto se relaciona pessoalmente e simultâneamente. Esta é a relação Eu-Tú, uma relação de reciprocidade, de experienciação mútua um do outro, ou seja, um mútuo aprendizado de viver.

O trabalho do terapeuta, como facilitador do processo, tem a responsabilidade de criar um clima envolvente e propício para o crescimento do cliente e, por consequência, do seu próprio crescimento.

O encontro só existe se há sentimento de respeito autêntico e mútuo entre o Eu e o Tú; não é algo que exista no Eu tendo como objeto o Tú, mas é algo que existe entre ambos, pelo qual cada um assume a responsabilidade pelo outro, com aceitação total, independentemente de quem sejam; o que as duas pessoas sejam não tem significado algum, o que importa é a essência da pessoa, que as torna iguais e é por esta razão que existe a reciprocidade.

O respeito é que torna a relação autêntica e por esta razão é fundamental se ver a totalidade da pessoa, sua essência, seja qual for sua natureza; portanto a condição básica do encontro é a aceitação integral de sí e do outro.

A pessoa (Eu) só se torna plena e integral quando em relação com a outra pessoa (Tú).